Afroteca é inaugurada em escola quilombola do Cabo para promover memória, leitura e empoderamento
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13/05/2026
A Escola Municipal Quilombo Onze Negras, localizada na comunidade de mesmo nome, no Cabo de Santo Agostinho, ganhou um novo espaço dedicado à leitura, à memória e ao fortalecimento da identidade dos estudantes. Foi inaugurada, nesta quarta-feira (13), a Afroteca, iniciativa voltada à promoção da educação antirracista e à valorização da história e da cultura afro-brasileira e quilombola.
Mais do que uma biblioteca temática, a Afroteca reúne materiais didáticos, literários e pedagógicos que contribuem para o enfrentamento ao racismo, aos preconceitos e à discriminação racial, além de fortalecer o sentimento de pertencimento entre crianças e adolescentes. O espaço também auxilia na implementação das leis federais 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena nas escolas.
A Afroteca foi organizada pela Universidade de Pernambuco (UPE), por meio do projeto de pesquisa “Identidade e Patrimônio em Quilombos Pernambucanos: ações para a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais para educação escolar quilombola”, coordenado pela professora doutora Adlene Arantes, da UPE Campus Mata Norte. A iniciativa conta com financiamento da Fundação de Amparo à Ciência e Tecnologia do Estado de Pernambuco (FACEPE) e disponibilizou cerca de 50 títulos para a unidade de ensino.
Durante a inauguração, a gestora da escola, Izabel de Araújo, destacou o significado do novo espaço para a comunidade escolar. “A inauguração da Afroteca hoje é um marco. Aqui não é apenas uma sala de livros. É uma sala de espelhos. Aqui a criança quilombola vai se ver na história. A Afroteca é um caminho aberto, cheio de possibilidades, para nos ajudar a formar alunos leitores e empoderados”, afirmou.
O superintendente de Gestão Democrática e Agente de Governança Local do PNEERQ, Marcone Costa, ressaltou a importância da parceria entre a universidade e os territórios quilombolas. “Queremos agradecer à UPE por essa importante iniciativa. Quando a academia se aproxima dos territórios e compartilha conhecimento com as comunidades, fortalece a educação, a identidade cultural e amplia oportunidades para nossos estudantes”, destacou.
Por Raíza Muniz
Foto: Raíza Muniz